Comsefaz vai
ao Senado pedir rejeição do PLP 11/2020: “Proposta não reduzirá preço dos
combustíveis”
O Comsefaz (Comitê Nacional dos
Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal) enviou nesta
sexta-feira (15) ofício ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG),
solicitando audiência para discutir o Projeto de Lei Complementar 11/2020, que
altera a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
sobre os combustíveis.
Em reunião na noite desta
quinta-feira (14), os secretários estaduais de Fazenda decidiram ir ao
presidente do Senado e às lideranças partidárias do Congresso Nacional pedir a
rejeição do texto do PLP 11/2020, aprovado pela Câmara Federal nesta
quarta-feira (13). O projeto impõe perdas de R$ 24,1 bilhões em receitas de
ICMS aos Estados e Municípios, de acordo com estudo da Febrafite (Federação
Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais).
Na reunião, os secretários
acordaram ainda mobilizar os senadores de seus Estados para que votem contra o
projeto. Na quarta-feira (13), o Comsefaz divulgou nota se
manifestando contra o projeto. Os secretários argumentam que, além
das perdas financeiras aos Estados, colocando em risco a qualidade dos serviços
públicos à população, o projeto é inconstitucional, visto que fere a autonomia
dos Estados na definição da alíquota do ICMS.
Além disso, a proposta não
reduzirá os preços dos combustíveis, como querem fazer entender o governo
federal e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), principal defensor da
proposta aprovada na Câmara. Durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o
diretor-institucional do Comsefaz, André Horta, alertou que o projeto é inócuo
e não reduzirá os preços dos combustíveis, não trazendo, portanto, ganhos reais
para os consumidores.
“O projeto parte de uma avaliação
equivocada de que os aumentos dos combustíveis são fruto do ICMS, quando na
verdade é a política da Petrobras de paridade com o mercado internacional que
puxa os preços para cima”, explicou. “Ou seja, não vai adiantar nada alterar a
alíquota do ICMS se a política da Petrobras continuar a mesma. Qualquer
eventual redução no preço dos combustíveis será logo anulada pela variação
cambial e pelo aumento do preço do petróleo lá fora, que interfere nos preços
dos combustíveis aqui”.
André Horta disse na coletiva que
os Estados concordam com mudança na cobrança dos combustíveis, mas desde que
ela seja feita obedecendo os preceitos constitucionais e sem perdas de receitas
para os entes. Os secretários defendem que a questão dos aumentos dos
combustíveis seja discutida no âmbito da Reforma Tributária ampla, que pode
simplificar e modernizar o sistema tributário e criar condições efetivas para o
crescimento do país e para promover justiça fiscal.
FONTE: COMSEFAZ
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